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INVESTIGAÇÃO

Governador eleito do DF foi beneficiado por disparos no WhatsApp

A lei eleitoral não proíbe os disparos em massa pelo WhatsApp, desde que a base de números de telefone seja do candidato, e que o portador do número tenha autorizado o envio das mensagens. A contratação do serviço precisa ser declarada à Justiça Eleitoral. Não há registro desse tipo de serviço na prestação de contas de Ibaneis

07/11/18, 18:28

D

urante o segundo turno da corrida eleitoral, pelo menos quatro disparos em massa de mensagens no WhatsApp, com ataques ao atual governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), derrotado no último dia 28, foram feitos sob o nome do governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB). O Congresso em Foco teve acesso a dados de disparos de mensagens pelo WhatsApp feitos pela plataforma BulkService, da agência Yacows.

A assessoria da campanha de Ibaneis nega ter contratado o disparo de mensagens e afirma que qualquer um pode ter “agido de má-fé” e usado indevidamente o nome de Ibaneis. A mesma justificativa foi dada pela empresa registrada como contratante do serviço. A mensagem foi disparada pelo menos 526 vezes - o mesmo número de celular pode receber a mesma mensagem mais de uma vez.

A lei eleitoral não proíbe os disparos em massa pelo WhatsApp, desde que a base de números de telefone seja do candidato, e que o portador do número tenha autorizado o envio das mensagens. A contratação do serviço precisa ser declarada à Justiça Eleitoral. Não há registro desse tipo de serviço na prestação de contas de Ibaneis.

 
Segundo dados do documento ao qual a reportagem teve acesso, pelo menos quatro disparos foram feitos no dia 17 de outubro por meio da ferramenta BulkService, a mesma envolvida nos disparos em massa pelo WhatsApp revelados pela Folha de S. Paulo nas campanhas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e de Fernando Haddad (PT).

A reportagem procurou a assessoria da campanha de Ibaneis e a empresa Efor Group, registrada na base de dados como contratante dos disparos. Ambas negaram ter envolvimento com as mensagens e disseram que “qualquer um pode agir de má-fé”, usando o nome da empresa ou de Ibaneis.

Disparos

Os quatro disparos, nomeados “Ibaneis-1”, “Ibaneis-2”, “Ibaneis-5” e “Ibaneis-6”, tinham a mesma mensagem, enviada por um perfil no WhatsApp identificado como “Enrolemberg”. A mensagem tinha o título “Investigações policiais ameaçam ‘mãos limpas’ de Rollemberg”, com emojis de sirenes. A foto do perfil traz um boneco inflável com o rosto de Rollemberg vestido de Pinóquio, com um nariz comprido em alusão ao personagem.

A mensagem também continha um vídeo produzido pelo Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF), publicado no canal do YouTube da entidade em 3 de outubro - antes do primeiro turno. O vídeo mostra diversas manchetes de jornais e sites sobre operações deflagradas pela Polícia Civil durante os quatro anos do governo de Rollemberg.

A assessoria do governador eleito afirma que a campanha de Ibaneis “não precisava” contratar esse tipo de serviço de disparos justamente pela vantagem que tinha nas pesquisas de intenção de voto. Ele recebeu 70% dos votos válidos no segundo turno.

A assessoria de imprensa do Sinpol também negou ter contratado qualquer tipo de serviço para divulgar o vídeo no aplicativo de troca de mensagens e disse não ter autorizado o uso da gravação em campanhas políticas.

A Yacows, responsável pelo BulkService, não respondeu o contato da reportagem até a manhã desta quarta-feira (7). O espaço está aberto caso as partes desejem se manifestar.

A Eficácia Organização, registrada como Efor Group, é mostrada na base de dados como contratante dos disparos, mas negou envolvimento. O Congresso em Foco entrou em contato, por telefone, com a empresa em duas ocasiões. No primeiro, sem que houvesse a identificação da reportagem, a funcionária que atendeu confirmou que a empresa ofereceu o serviço de disparo de mensagens para campanhas eleitorais e afirmou que o escritório tinha até uma base de dados para tal - o que é proibido pela lei eleitoral, uma vez que disparos só podem ser feitos para as próprias bases dos candidatos -, mas que a pessoa responsável não estava na empresa naquele momento.

No dia seguinte, mais uma ligação foi feita para a empresa. Após a identificação da reportagem, o funcionário apontado como responsável pela área confirmou que a companhia oferecia o serviço de disparo de mensagens, mas negou o fornecimento da base de números. Segundo ele, não houve contratações. Questionado sobre como o nome da empresa teria sido registrado nos dados do BulkService, o funcionário afirmou que pode ter sido alvo de má-fé.
 
Fonte: JL/Congresso em Foco
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